De banhos de lama a afeto à distância com fêmeas: veja como está o elefante Sandro um mês após deixar Sorocaba
Elefante Sandro completa um mês em santuário no MT após 40 anos em Sorocaba Banhos de lama, passeios pela mata e até árvores derrubadas durante as brincade...
Elefante Sandro completa um mês em santuário no MT após 40 anos em Sorocaba Banhos de lama, passeios pela mata e até árvores derrubadas durante as brincadeiras fazem parte da nova rotina do elefante Sandro, que deixou o Zoológico de Sorocaba (SP) há exatamente um mês após viver por mais de 40 anos no local. Transferido para o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães (MT), o animal apresenta uma adaptação considerada acima do esperado pela equipe responsável pelos cuidados dele. À TV TEM, o presidente do santuário, Raphael Bontempi Ferreira, afirmou que Sandro demonstrou curiosidade e independência desde os primeiros dias no novo ambiente. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Segundo ele, a equipe está satisfeita com a evolução do elefante e com a maneira como ele explora os recintos. “Foi uma transição bem tranquila. Nesse mês, a gente está bastante surpreso e feliz. A gente tem a percepção de que é como se ele soubesse ou que pertencesse lá desde sempre”, disse. LEIA TAMBÉM: 'Difícil se despedir de um amigo': tratador do Zoo de Sorocaba desabafa sobre transferência do elefante Sandro Conheça a história de Sandro, elefante levado a santuário no MT após viver por mais de 40 anos no Zoo de Sorocaba Carinhoso, comilão e brincalhão: conheça Sandro, elefante que vive há mais de 40 anos no zoo de Sorocaba e que virou alvo de disputa judicial O elefante Sandro, de 54 anos, deixou a cidade no dia 16 de setembro, com destino ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT). A transferência começou no dia 10, quando a caixa transportadora chegou ao parque. A estrutura foi posicionada na área externa na noite seguinte e Sandro entrou voluntariamente no local. Depois, a caixa foi içada e colocada em um caminhão prancha que fez o trajeto até o destino final, chegando ao santuário em 18 de setembro, após uma viagem de aproximadamente 1,6 mil quilômetros desde Sorocaba. Banhos de lama e exploração da mata Elefante Sandro toma 'banho de terra' nos primeiros minutos no novo lar em MT De acordo com Raphael, Sandro passou a explorar o espaço pouco depois de deixar a caixa de transporte. Na primeira noite, permaneceu no centro veterinário do santuário. No dia seguinte, os portões foram abertos para que ele tivesse acesso aos outros recintos. Desde então, o elefante tem passado boa parte do tempo ao ar livre. A equipe acompanha os deslocamentos e os hábitos dele, inclusive por meio de imagens de drones, para monitorar o comportamento sem entrar no recinto. Entre as atividades que chamaram a atenção dos cuidadores estão os banhos de água e lama, o hábito de se esfregar nas árvores e a exploração da vegetação. Segundo Raphael, Sandro também já derrubou árvores durante as brincadeiras. “Ele usa o galho para se coçar muitas vezes, joga para cima, arremessa, quebra, come. É um comportamento natural, um sinal de exploração, de curiosidade e de interação com o meio ambiente”, explicou. O presidente do santuário afirmou que esse comportamento é considerado positivo e que a adaptação de Sandro foi a mais rápida observada pela equipe até agora. Testes com frutas e vegetação Elefante Sandro morou no Zoológico de Sorocaba (SP) por 43 anos Thiago Ariosi/TVTEM A alimentação também está passando por adaptações graduais. Inicialmente, a equipe manteve o protocolo utilizado no Zoológico de Sorocaba, com feno, capim e frutas picadas, para evitar mudanças bruscas que pudessem prejudicar a saúde digestiva do animal. Com o acompanhamento dos profissionais, o santuário começou a testar novas formas de oferecer os alimentos e observar as preferências de Sandro. Um dos exemplos é a melancia. Segundo Raphael, o elefante quebra a fruta, coloca-a no chão e suga a parte interna, demonstrando preferência pela polpa em vez da parte branca. Esses comportamentos permitem que a equipe observe suas preferências e amplie a autonomia alimentar, sempre com os cuidados necessários. "A gente vem fazendo testes para entender o que é excesso de cuidado, o que na verdade era um manejo, o que dá para mudar e o que ele está gostando. Então a gente percebeu por exemplo as folhas de palmeira, ele gosta, ele vai, ele mesmo pega aquela folha inteira, quebra, mastiga, come, então é um nível muito grande de autonomia", afirma o presidente. " A gente está tentando testar o que ele de fato gosta, para que ele mostre para nós o que ele quer, obviamente dentro de uma segurança, mas o que de fato faz ele feliz", diz. Elefante Sandro entra em lagoa pela 1ª vez no Santuário e demonstra musculatura debilitada Santuário de Elefantes Brasil O histórico de problemas digestivos também é acompanhado. Raphael afirmou que foram observados poucos episódios de cólica desde a chegada, uma questão que preocupava a equipe devido aos registros anteriores do animal. O monitoramento inclui ainda os hábitos diurnos e noturnos, a alimentação e a maneira como Sandro utiliza o espaço. Apesar da evolução comportamental, o elefante ainda precisa melhorar a condição corporal e fortalecer a musculatura, principalmente das pernas. O santuário diz que Sandro chegou ao local com a musculatura mais fraca e uma condição corporal abaixo da ideal para seu porte e idade. Durante os primeiros momentos no novo ambiente, a equipe observou tremores nas pernas e maior dificuldade para sair do lago. A expectativa é que a movimentação frequente e a exploração dos recintos contribuam para o ganho de massa muscular e peso. “Ele está andando muito, não para, anda o tempo inteiro, explora o tempo inteiro. Isso é muito positivo para ele”, afirmou o presidente do santuário. A equipe acompanha a evolução física de Sandro para avaliar o progresso e identificar as necessidades de manejo. Contato com outras elefantas O elefante se tornará o primeiro macho a viver na propriedade, que atualmente abriga seis fêmeas. Até então, os mamíferos permaneciam em recintos separados. Segundo Raphael, os animais perceberam a chegada do novo morador pelo cheiro e se aproximaram das áreas próximas ao recinto dele. Atualmente, eles conseguem se ver, sentir os odores uns dos outros e se comunicar por vocalizações, mas ainda não tiveram contato físico. Guillermina, uma elefanta asiática de 25 anos, nasceu no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, e passou toda a vida em cativeiro Santuário dos Elefantes Brasil "Foi muito engraçado porque na chegada do Sandro, as elefantas perceberam que tinha alguém chegando, perceberam um cheiro diferente, já foram muito próximas de onde ele estava para poder recebê-lo, para poder entender quem estava lá, e por ser um macho é bem diferente, muitas delas sequer haviam conhecido o macho, ou tido um contato tão próximo de cheiros e sons", revela. Os recintos ficam a aproximadamente 20 metros de distância. O santuário tem um corredor que pode permitir aproximações futuras, caso os animais demonstrem interesse e a equipe considere a interação adequada. "Eles já se viram sim pelas cercas, não tiveram um contato, porque elas estão no recinto delas e ele no dele. Eles se veem, conseguem vocalizar, se comunicam, sentem os cheiros, eles já tiveram interações visuais, sensoriais em geral, mas não de toque, vamos entender com o tempo se elas vão querer e ele também, para que a gente possa eventualmente coloca-los juntos", afirma Raphael. A convivência no mesmo recinto, no entanto, não está prevista neste momento. A separação segue características do comportamento natural da espécie, em que os machos geralmente não permanecem com as fêmeas. Homenagem do ex-tratador Sérgio Domingues eternizou na pele o amor pelo elefante Sandro após partida para santuário Reprodução/Redes Sociais Na antiga casa do Sandro, o seu ex-tratador, Sérgio Domingues, de 35 anos, decidiu eternizar a amizade com o elefante na própria pele. No mesmo dia em que o elefante Sandro deixou o Zoológico, Sérgio fez uma tatuagem para homenagear o seu grande amigo. "Perdi esse meu amigão e resolvi fazer essa arte porque gostei bastante da foto, que demonstra principalmente o respeito que a gente tinha um pelo outro. Esse dia [da despedida] foi muito marcante, tanto pelo cuidado com ele quanto pelo fato de ele ter ido embora do zoológico. Tudo isso é muito emocionante para mim, foi uma convivência muito gratificante", relata o tratador. A tatuagem passou a representar uma convivência construída ao longo dos cuidados diários com Sandro. Mais do que acompanhar o animal durante o expediente, Sérgio dedicava sua rotina exclusivamente a ele, em uma função que exigia atenção constante às necessidades do elefante. O tratador Sergio Domingues e o elefante Sandro no zoo de Sorocaba (SP) Eric Mantuan / g1 Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM